Além de uma simples almofada

mal amada

Existem pessoas que brincam com os sentimentos dos outros como se fosse uma balada, um jogo de futebol, férias, um bichinho de estimação, um passatempo, algo que de uma hora pra outra você pudesse desligar como faz com seu computador, ou deletar e mandar pra lixeira do desktop.

Porém no infinito egoismo e narcisismo descritos e explicados nos livros de psicanálise, encontro muito mais casos do tipo: -Ah eu gosto de jogar isso de vez em quando, então vou deixar ali… deletar pra que? eu gosto que esteja ali pra que seu eu estiver entediado eu tenha o que fazer!

A almofada enorme do quarto? Ela fica em cima da cama. Na maioria das vezes eu quero, eu gosto de encostar nela. Tirar? Jamais. Me faria falta. Mas se a cama ficar apertada demais pra almofada qualquer hora é só jogar ela ai no chão do quarto. E la fica a almofada jogada no chão do quarto atrapalhando sua passagem…. É a hora que você decide jogar fora? JAMÉ!!! Ela vai pra sala. Lá ela não me incomoda. Pelo menos por uns tempos… E se um dia você cansar dela? Leva a almofada junto e deixa guardada em qualquer lugar, afinal é a SUA almofada. SUA. Você jamais iria querer ver sua almofada por ai… nos braços de outro. Deixa ela mofando em cima do armário.

Eu vou ser sincera: já fui almofada, balada, férias, joguinho de computador assim como a maioria de todas nós. Só que deu vírus! Baratinhas ou qualquer outro bichinho predador entrou dentro e mofou tudo dentro. Colocaram bolinhas na bebida. Um buraco apareceu na calçada da praia. Quem nunca?

Eu estou na contra mão? Tenho algum tipo de complexo ou trauma não resolvido nas infindáveis aulas de analise didática antes de me formar? Presenciei ou trato de casos que me tocaram mais do que deveria? Não quero mais em finais felizes?

Não, não é. Contrariamente à isso, quase sempre me flagro analisando minhas experiencias quando estou estudando os casos que atendo (cada paciente tem seu prontuario, seus livros de consulta, leituras diferentes, enfim: cada caso é um caso literalmente). Assim acredito que cada dia que se passa mais eu aprendo a amar e ser amada. O simples fato de acreditar no amor me basta pra ser completa, ja que todas as outras coisas eu tenho.

Definitivamente consigo tirar as almofadas jogadas em algum lugar escuro e solitário, limpa-las, cuidar delas e por fim deixa-las como novas: prontas para serem merecidamente abraçadas de novo. Ninguém (olha o Sr Ninguém aparecendo!) deve se conformar por ser ou ter sido colocada no chão, seja quem for o responsável por isso! Até porque quando aprendemos a não ser uma almofada, nos tornamos um agradável travesseiro. E pra terminar, fica uma dica: Pessoas que tratam outras como almofadas, nunca saberão ser um cobertor.

Vivian Fernanda
Psicanalista, ex almofada e atual travesseiro.