O Rolezinho passando pela psicanálise.

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Particularmente eu tive que ler vários textos das mais diferentes fontes possíveis. Pensei que era uma coisa, depois entendi que era outra. Mas como ver o “Rolezinho” na visão psicanalítica? Estava demandando muitas hora e rabiscos em livros até que tive a ideia de perguntar ao meu filho que tem 16 anos e passa férias comigo: O que você pensa sobre o rolezinho, filho? Eis que finalmente eu pude analisar “essa moda”. Vamos lá:

Segundo Zimerman em Fundamentos Psicanáliticos, adolescente vem do latin “ad” pra frente e “dolescere” crescer, com dores. Transparece então a ideia de um período de transformação que deriva de crises. Nesse período reconhecido dos 15 aos 17 anos, não só há mudanças físicas como também há as psicológicas, estas as quais que se destacam principalmente pela busca de uma identidade individual, grupal e social.

A influência da mentalidade consumista, em maior parte derivada pela mídia, reflete na formação dos valores ideológicos dos adolescentes. – aliás esta mesma mídia é quem rotulou os encontros chamados “rolezinhos” e os que deles participam.
Para a psicanálise a família constrói o adulto desde a infância independentemente de ter ciência que é na adolescência o período da tal busca de identidade. Logo a mesma virá de dentro da casa ou fora dela, haja vista que a internet atualmente é mais forte do que o núcleo familiar na vida do jovem.

Podemos então descartar a culpa da família? Voltemos ao pensamento psicanalítico: a psicanálise ressalta a mutação da fase infantil para a adolescência e tudo que pai ou mãe representam, por outro lado defende a importância das escolhas tomadas pelo individuo nessa fase onde ele conhece a realidade através do reflexo da infância vivida.

Sendo assim não ouso afirmar nem sim nem não. Mesmo que exista uma regra dentro da psicanálise (ou mais de uma) ainda acredito que cada indivíduo é afetado pelo meio, pelo externo, destarte no meu ponto de vista não há regras para analise. Contudo o paradoxo atingiu ao milhares de formadores de opinião sobre os diversos motivos para o “rolezinho” (me perdoe por não usar palavras tais como: manifestação, protesto, movimento e genéricos mas não compartilho desse pré-conceito ou informação mal transmitida).

Não trabalho com generalizações e o que entendi (posso não ter entendido direito) é que em comum estes jovens possuem algumas características socioculturais. Porém cada adolescente que está em um rolezinho tem uma história, tem família, tem valores e óbvio que entre o grupo há os de má-fé, os “meliantes”, os baderneiros ou como meu filho disse: quem vai pra roubar! – Aqui digo particularmente: acredito que o preconceito já está definido em uma maioria e essa maioria sim é quem deve procurar ajuda psicológica. Julgar é feio, sabia?

Voltando a ser psicanalista e deixando o papel de mãe, continuo: há entre os jovens alguns com traços narcisistas segundo as descrição dos livros. Eles são os que possuem o sentimento de auto-estima e egocentrismo nos grupos. São os “famosos”. Eles assumem essa postura de líder, de reconhecimento. Geralmente são eles que organizam os encontros. Os “famosos” apresentados pela mídia não demonstraram preocupação com a visão deturpada que a sociedade tem dos rolezinhos. Detalharam seus status entre os outros jovens para os quais são de fato “ídolos” sem perceberem que o “resto” dos jovens compartilham de uma visão preconceituosa (incluindo meu filho).

Em suas entrevistas beiram ao inofensivo modo de vida onde escutar funk, ter roupas caras e muitos “fãs” é o que importa na vida desses adolescentes que estão tendo o famoso: “cinco minutos de fama”. Claro que há os responsáveis pela visão da grande maioria da população: são os que gostam de ouvir som alto no carro, regados de bebidas alcoolicas entre outras ostentações. Ostentação aliás é a palavra mais em voga mas infelizmente diante de tudo que esta psicanalista leu, só se lembrou agora afinal em meio à tantas opiniões e argumentos chulos não vi nada para ostentar.

Fernanda Guimarães – Psicanalista (e não dona da verdade)

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