Se pudesse mandar um recado pro seu passado

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Outro dia vi uma dessas brincadeiras de Facebook: se você pudesse mandar um recado em duas palavras para si mesma mais nova, o que diria? Pensei, pensei. Li as respostas, pensei mais… e cheguei a uma conclusão: não tenho o que dizer.
Todas as coisas boas que vivi foram consequências dos meus atos, e todas as experiencias ruins me fizeram a pessoa que eu sou hoje. Mais ou menos como o filme “efeito borboleta”. Algo que eu mudasse iria se tonar uma avalanche. É um arrependimento só mas é o suficiente para mudar todo o resto.
Além do que, sinceramente? eu não teria maturidade para entender. Se eu recebesse há 20 anos um recado de hoje dizendo: ESTUDE, iria mandar pro mesmo lugar que mandei outros conselhos de pessoas bem sábias na época. Há 10 anos iria zombar se recebesse: VIAJE. Provavelmente mandaria um recado de volta: não perguntei!
E resolvi, como boa estudiosa do ser humano, perguntar a minhas pacientes isso. Quando eu respondi a elas o que eu pensei todas concordaram comigo: tem razão, não tem nada que eu queira dizer. E claro que as confrontei com seus maiores erros e arrependimentos. Porém escutei o que me fez ver que os dias de analise fizeram a diferença:
– Não, não mudaria isso também. Se não tivesse vivido isso também não viveria coisas boas depois.
Tudo que sofremos nos tornou alguém melhor. Toda dor foi aprendizado. Difícil é entender e acreditar que de fato nosso passado é responsável por coisas boas também.
Creio que a análise (e outras terapias) servem para mostrar que não podemos voltar ao tempo contudo podemos tornar o presente menos pesaroso e quem sabe o futuro melhor. Não podemos mudar o fato de não ter café quando só tem leite. Mas podemos tornar o leite mais gostoso, agradável. Desejar o café que não tem jeito. Não tem e ponto.
Compreender os fatos é o caminho mais fácil para aceita-los. Se lembrar com saudade é a forma mais tênue de não querer voltar. Se sentir mais forte é mais prazeroso quando recordar que foram suas lutas que te tornaram assim.

Fernanda Guimarães,
psicanalista e de volta para o futuro.