Tão próxima à dor de quem amamos

maos-dadas

Bom faz tempo, muito tempo (uma semana) que não venho aqui. Acho que tenho que vir mais. Contudo são muitos livros, muito estudo, são pacientes novas que exigem que me aprofunde em suas queixas. Ninguém me falou que ia ser fácil. (poxa Sr Ninguém, poderia ter contado isso né?) Eu ate queria palestrar um pouco mas vou tentar falar aos meus leitores (genten acho tao chique falar: meus leitores)

Nem sei por onde começar. Vamos tentar falando do que estou sentindo agora. Perdão: vamos falar sobre o que eu sinto numa segunda-feira de manhã ao ler minhas anotações sobre as pacientes que vou atender essa semana. É muito complicado aceitar o rotulo de desvio de personalidade, uma doença psíquica, qualquer coisa que não seja vista com um sentimento apenas. Realmente é bem triste. Tentamos mostrar que somos normais, mas as pessoas tem medo de nós ou simplesmente já possuem um pré-conceito sobre o que somos.

Estou triste, magoada, decepcionada,traumatizada, talvez angustiada.(por elas. ok, por me colocar no lugar delas)
Passei para o lado B da sessão. E me pergunto: o que há de errado para não conseguir me colocar também no lugar dos familiares, dos amigos, dos que não sabem e não entendem o que está acontecendo.

Sabem, eu já chorei porque não consegui achar respostas. Explicações que não estão em nenhum livro de psicanálise e nenhuma pagina do Google. Penso que fui magoada e humilhada por todos que estão em volta, digo por Freud. Depois me tornei indiferente, agora eu tenho vontade de bater a cabeça dessas pessoas na parede 100 mil vezes. (Calma…. respira, cheira a flor e apaga a vela.) PASSOU, PASSOU…

Quantas vezes eu disse que só vou gostar de quem gosta de mim? Acho que não foram suficientes para que eu coloque isso pra sempre na cabeça e no coração das minhas pacientes. Estou triste, mas não por vocês. Vocês são uma alegria pra mim. Estou farta de muitas brigas, discussões, falta de paciência, cobrança, ciumes, solidão, ajeitar sempre a vida dos outros, ser Poliana ou playmobil (sempre com sorriso no rosto).

Tento fazer com que minhas pacientes se afastem devagar das pessoas que as fazem sofrer, fazem chorar, machucam, que deturpam o que eu digo (ou elas dizem)… Acho que é a melhor forma de agir. Se as pessoas estão cansadas do nosso jeito, a gente tem que enfiar o rabinho entre as patas, recolher o banquinho e sair de fininho. Nossa, eu preciso de 4 horas de sessão com minha terapeuta. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e eu estou no meio desse tumulto.

Já é tao difícil pra nós o simples fato de viver com um rotulo, imagine conviver com pessoas que a gente ama, mas machucam muito a gente. SIM, DEVEMOS PERDOAR. Difícil é ser perdoado. A desculpa vem da razão, o perdão do coração.
E quando o coração fica tão machucadinho nem da gosto de compartilhar com vocês. Pra vocês eu quero passar uma sensação boa ao ler este texto.

RESPIRA. olhe pra si. “Nossa, eu sou uma mulher admirável”. E você tem que saber disso. as pessoas já sabem. Os homens já perceberam. Só falta eu subir no salto. A gente atrai tudo que a gente pensa, sabia? inconscientemente estamos pedindo aquilo pra nós. e o universo nos dará. Se é assim, vamos combinar de pensar numa coisa fácil, agradável, e que queremos muito? Só coisas positivas vão acontecer. e onde havia uma flor murchando eu vou plantar uma linda rosa.

Supere. RESPIRE. “-Eu sou maior do que todos aqueles que me fizeram sofrer esses dias, e cada lagrima sera fonte de um novo sorriso, e pra isso acontecer basta eu abrir meu coração e deixar que se aproximem os que me querem e que a fila seja tao grande, que os que me causaram alguma dor suma bem pra longe de mim, no meio da multidão”.

Vivian Fernanda
psicanalista e paciente também!