Você que inventou o pecado, Esqueceu-se de inventar o perdão…

Patrz sercem, bo oczy sa ślepe
Quando você me deixou, meu bem; Me disse pra ser feliz e passar bem. Quis morrer de ciúme quase enlouqueci; Mas depois, como era de costume, obedeci. Obrigada da Chico (Buarque) por iniciar meu texto. Mais na frente me interrompa por favor.

Hoje é um dia especial para uma paciente. Era para ser um dia feliz, mas o que a levou ao meu consultório foi justamente a tristeza desse algo “especial”. Chico, me ajude! -Você que inventou a tristeza, Ora tenha a fineza de “desinventar”

Obrigada de novo. Eu, ela e muita gente gostaria de falar isso. Porém só mesmo um cantor como Chico para fazer voz ao nosso desejo. Então meu caro, em que momento tu fará essa gentileza? Acredito por acompanha-la há certo tempo tenho autonomia de reivindicar essa felicidade perdida. Essa mesma que tu roubou sem ter o direito.
– Quando chegar o momento, Esse meu sofrimento, Vou cobrar com juros. Juro!

Oras meu prezado senhor, não fui eu quem disse isso. Mas talvez esta pessoa que temos em comum (não, não em comum com Chico. Com voce, que fez pelo menos algo de bom em meio a tanta dor daquela mulher: dar-me o prazer de conhece-la). Destarte seja menos Édipo, menos Otello e mais Chico.

Muitas podem se identificar com esta bela que procurou ajuda ao ver findar seu casamento com um homem tão instável. Um velho conhecido, pensador mas não contemporâneo disse: Deve-se temer mais o amor de uma mulher, do que o ódio de um homem. E não foi Chico, seu nome era Sócrates. Antes que me pergunte sobre a visão em minha profissão, te digo: Questões de maturidade não são alvo nem em contos de fadas.

Alias, existe uma frase de um príncipe despeitado em um conto dos irmãos Grimm: “sofri tanto por sua casa, que achei que também devias sofrer por minha causa” (Os Seis Criados). Dizem que o amor é cego, de certa forma é mesmo. A paixão provoca a idealização do ser amado. Todas as suas virtudes serão ressaltadas e seus defeitos minimizados. O amor é uma poderosa lente que distorce para aumentar o valor daquele a quem entregamos o coração. (Fadas no Divã)

Acho que o conto Psique e Cupido caberia a este quiprocó já que esta história tem uma simbologia “Psiquê seria a alma humana, que é purificada pelas desgraças e sofrimentos, preparando-se, dessa forma, para desfrutar de pura e verdadeira felicidade.” (Eliene Percília)

Talvez seja muito bonito de escrever sob a visão de uma psicanalista contudo deturpado pelo protagonista das queixas da paciente. Qual o que? Chico, me dê licença e usarei uma definição Freudiana: Este cara é de um tanto narcisista e não dá a redenção ao amor da mulher que vive a fase da barganha, onde qualquer ato de afeto remete a sua anulação e ata meus braços analíticos deixando apenas meus abraços de consolo quando a olho nos olhos…